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# Fomento do Autoconhecimento e da Autoestima para Desenvolvimento de

 Responsabilidade Pessoal e Social

Qual a ligação da Autoestima com Responsabilidade Pessoal e Social ?

Somos todos seres sociais, viver em grupo possibilitou  o desenvolvimento de nossa espécie. Aristóteles foi além e disse que somos seres políticos, porque vivemos as relações sociais. A tecnologia mudou – e continua a mudar – a forma como nos relacionamos. Nos aproxima e afasta, integra e isola de maneira pertubadora. Temos cada vez mais informação, menos tempo e menos qualidade de vida. A geração Milennial, da qual faço parte, tenta acompanhar a dança frenética dos acontecimentos e das relações líquidas, enquanto se acomoda nos papéis de causa e efeito.

Em meio à tanta exposição, apelo ao fast consumismo e todas as questões da modernidade, muitos perdem o próprio referencial de identidade, de valores, de essência. Quando não se conhece as belezas e as mazelas íntimas parece existir uma suscetibilidade à vulnerabilidade. O que todos nós queremos, quanto seres humanos, é nos sentirmos felizes e nesta equação, sentir-se amado e aprovado tem grande peso. E é justamente em nome desta aprovação externa que comprometemos a Autoimagem, o Autoconceito e a Autoestima.

David Hume, pensador do Iluminismo apresentou-nos no século XVIII a ideia de que é importante se valorizar e pensar bem de si mesmo. No campo da psicologia, a Autoestima aparece pela primeira vez no início do século XIX no trabalho de William James, considerado por muitos como o pai da Psicologia moderna. James tinha uma definição simples de Autoestima: sucesso dividido por pretensão. De acordo com ele, quanto mais sucesso temos e menor as nossas expectativas ou pretensões, maior será a nossa Autoestima. Para aumentá-la, portanto, temos duas opções: reduzir nossas expectativas de nós mesmos ou aumentar nossas conquistas. A auto-apreciação é conquistada à medida em que as pessoas experimentam sucesso e ainda segundo James, a Autoestima é uma necessidade básica de manifestação e é possível ao ser humano o seu desenvolvimento. Isso o levou a argumentar que uma pessoa bem ajustada era aquela que poderia equilibrar com sucesso a realidade com as suas potencialidades.

Desde William James o estudo sobre Autoestima frutificou nos campos da filosofia, psicoterapia, psicologia e psicologia social, além é claro nas discussões não acadêmicas.  O professor de psicologia Stanley Coopersmith foi importante no aprofundamento do tema ( The Ancedents of Self-Esteem ) e o psicoterapeuta discípulo de Ayn Rand, Nathaniel Branden, foi fundamental para a popularização, tendo diversos livros escritos, é considerado por muitos o “guru” da Autoestima. Os benefícios de uma Autoestima saudável foram citados por Carl Rogers, Edward Wells e  Gerald Mawell (Self-Esteem: Its Conceptualization and Measurement) e diversos outros autores. 

O professor de sociologia da Universidade da Califórnia, Neil Smelser em seu livro The Social Importance of Self-Esteem afirmou que “qualquer um, se não a maioria, dos principais problemas que afligem a sociedade tem raízes na baixa Autoestima de muitas pessoas que compõem a sociedade”. E o que é a sociedade senão o coletivo de muitos indivíduos ? A terapeuta familiar Virginia Satir dizia que não é possível dar o que não se tem. Por sua própria presença e caráter você influencia outras pessoas. O desenrolar da vida depende das escolhas que fazemos, mesmo diante do inevitável. E cada escolha que se faz decorre da visão fundamental que cada um detém sobre si, o mundo e  o seu lugar nele. É essencial então que seja feito um esforço particular de se conhecer e saber o seu próprio valor para que escolhas assertivas sejam feitas. Neste palco, parece ser  a Autoestima positiva e saudável um pilar de sustentação.

Nunca havia pensado na relevância e nas consequências da Autoestima, até deparar-me já nos primeiros atendimentos, com uma realidade quase unânime de mulheres que em algum momento em nossas relacões de trabalho reconheciam não serem merecedoras, ou capazes, e que desejavam simplesmente se amarem, se aceitarem e estarem em paz em suas peles. 

Penso ser a Autoestima ponto de partida da Autorresponsabiidade, um sentindo de cuidar-se de si mesmo com consciência, nas diversas esferas do bem estar humano. Nestes dias barulhentos, inquietos, líquidos e cada vez mais individualistas e solitários, o sentimento de amor próprio mantém-se como esteio moral, ético e da responsabilidadepara finalmente, alcançar um equilíbrio entre independência e interdependência.

Acredito que somente indivíduos que tenham a habilidade de se respeitarem e se reconhecerem possam respeitar seus semelhantes e serem agentes responsáveis e transformacionais de uma sociedade.