Do autor Charles Duhigg, o livro baseado em centenas de estudos acadêmicos, explica como os hábitos determinam, na maioria das vezes sem nem nos darmos contas, as nossas escolhas. E numa cadeia de cartas, as pequenas atitudes acabam por influenciar como passamos nossos dias, e um dia após o outro, como um hábito “errado” pode prejudicar uma vida inteira. O livro é dividido em três partes. A primeira, e onde vamos nos concentrar é sobre os hábitos individuais. As outras duas partes mas igualmente interessantes são respectivamente sobre hábitos nas empresas e na sociedade.
E como é difícil mudar um hábito! Há meses que me debato com a tarefa de aproveitar meu dia de maneira ainda mais produtiva. Acordar um pouco mais cedo, dormir um pouco mais tarde, estudar na hora do almoço… Nesse aspecto nem todos os dias são bons. Há dias em que existe uma sensação de fracasso completo. Mas quando olho para trás, me orgulho dos progressos feitos. Acho que o X da questão é, como sempre, não desanimar. E a melhor maneira de fazer isso é lembrando-me todos os dias, várias vezes por dia dos meus objetivos.


Minhas impressões e trechos que achei interessantes: O autor faz sua introdução contando-nos sobre Lisa e como ela mudou sua vida. Ela estava participando de um estudo e o objetivo dos pesquisadores era descobrir como os hábitos funcionam num nível neurológico  e o que é necessário fazer para mudá-los.  Todos os participantes da pesquisa tinham em comum o fato de terem reconstruído suas vidas em períodos relativamentes curtos.
Lisa contou que um dia seu marido chegara do trabalho e pediu o divórcio porque estava apaixonado por outra mulher. Ela teve a fase de luto e de perseguir a nova namorada do ex, até apareceu bêbada na casa dela ameaçando queimar todo o prédio. Nessa fase ela decidiu conhecer o Egito, que sempre sonhara.

Na sua primeira manhã no Cairo, ao acordar ela percebeu que tentava acender uma caneta no lugar de um cigarro. Pensou em como odiava sua vida inteira. Ela sabia que precisava de um novo objetivo na sua vida, algum motivo para viver. Prometeu a si mesma voltar ao Egito dentro de um ano e faria uma trilha pelo deserto. Ela estava desempregada, com excesso de peso e sem saúde para a empreitada. Sequer sabia se era possível fazer essa trilha. Nada disso importava. Ela só queria um objetivo. Teria que fazer sacrifícios e principalmente, teria que parar de fumar.  A convicção de que ela precisava para de fumar para concluir seu novo objetivo desencadeou uma série de mudanças que se refletiu em toda a sua vida. Onze meses depois Lisa fez sua viagem. Mais que isso. Ela começou a correr, organizou suas finanças, voltou a estudar, comprou uma casa e ficou noiva. Quando o cérebro de Lisa começou a ser estudado, descobriu-se algo sensacional: um conjunto de novos padrões neurológicos.

Os antigos hábitos foram suplantados por novos padrões.  Ainda existia atividade neural dos seus antigos comportamentos mas esses impulsos foram anulados por novos desejos. Quando Lisa mudou seus hábitos, seu cérebro também mudou. Todos os participantes do programa tiveram um processo semelhante – Tinham como foco mudar a princípio um hábito e como uma decisão acaba tornando-se um hábito automático. A maioria das escolhas que fazemos todos os dias (hora de acordar e de comer, caminho para o trabalho,restaurante e a companhia do almoço, etc), podem parecer decisões mas são hábitos. Você não para e pensa se vai escolher amarrar primeiro o calçado esquerdo ou o direito. Isso é um hábito.

Embora cada hábito possa parecer insignificante, pequenas ações repetidas dia após dia, ao longo de anos, tem um grande impacto em nossas vidas. Um hábito pode ser um benefício ou uma maldição (como não conseguir para de ver TV e ir estudar). “Toda a nossa vida, na medida em que tem forma definida, não é nada além de uma massa de hábitos” – William James, 1892 Entendendo como paramos de fazer escolhas conscientes e o comportamento torna-se um hábito, podemos reconstruir esses padrões como desejarmos. Transformar um hábito não é fácil nem rápido. Nem sempre é simples. Mas é possível. Pesquisadores do MIT descobriram, através de testes em ratos, que a atividade mental diminui quando  uma atividade é feita repetidamente após alguns dias. Os ganglios basais, no interior da cabeça, são os responsáveis por “armazenar” os hábitos, que segundo os cientistas surgem porque o cérebro encontra meios de poupar esforços.

   “Os hábitos não são inevitáveis. Quando um hábito surge, o cérebro para de participar totalmente da tomada de decisões para diminuir o esforço ou concentrar em outras tarefa. A não ser que você deliberadamente lute contra um hábito – que encontre novas rotinas – , o padrão irá se desenrolar automaticamente.”  ” Os hábitos nunca desaparecem de fato. Estão codificados nas estruturas do nosso cérebro, e essa é uma enorme vantagem para nós. O problema é que nosso cérebro não sabe a diferença entre hábitos bons e ruins, e por isso, se você tem um hábito ruim, ele está sempre ali à espreita. Uma vez que adquirimos um hábito ele está sempre em nossa cabeça, e por isso é tão difícil mudar. No entanto podemos forçar novos hábitos que vão deixar os antigos em segundo plano”

Uma boa leitura !

E como implantar um novo hábito? Leia aqui no segundo post sobre o livro O Poder do hábito

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