No outro post, a parte 1 sobre o livro O Poder do Hábito, falei um pouco sobre como o autor explica o funcionamento dos hábitos.

Neste post, vou fazer um resumo de como o autor ensina a identificar as deixas de um mau hábito e substituir por outro. Para não perder o clima de pesquisa séria, vamos começar com ratos, e um laboratório, nesse caso de uma das mais conceituadas universidades dos EUA, o MIT.

Os experimentos feitos pelos pesquisadores do Departamento de Ciências Cerebrais e Cognitivas a partir dos anos 90, feitos através da análise da imagem do cérebro de ratos, puderem explicar como os hábitos desenvolvem-se no interior de nossas cabeças. E esse passo é importante para quebrar o ciclo de um mau hábito.

O autor explica de uma maneira que fica bem fácil de entender: Imagine o cérebro como uma cebola, formado por camadas. No fundo dessa complexa cebola estão as estruturas mais primitivas e são as responsáveis por controlar os comportamentos automáticos, como respirar e engolir. No centro do crânio existe uma espécie de nó de tecidos e tem o nome de gânglios basais. É claro que ratos em laboratório devem envolver labirintos e nessa experiência não é diferente. A atividade cerebral dos bichinhos foi observada em todas as centenas de vezes em que eles procuraram chocolate em um labirinto. E o resultado da observação foi que a medida que cada rato aprendia a se orientar no labirinto, a atividade cerebral diminuía. Quanto mais o caminho se tornava automático, menos os ratos pensavam. Com o passar das semanas, os ratos corriam pelo labirinto chegando diretamente ao chocolate. Graças aos gânglios basais! São eles que armazenam os hábitos enquanto o resto do cérebro parece “adormecer”.

Os hábitos, dizem os cientistas, surgem porque o cérebro está o tempo todo tentando poupar esforços. O processo dentro dos cérebros é um loop de três estágios, Primeiro, há uma deixa, um estímulo que manda o cérebro entrar em modo automático, e indica qual hábito deve usar. Depois há a rotina, que pode ser física, mental ou emocional. Finalmente há uma recompensa, que ajuda o cérebro a memorizar este loop para o futuro. A descoberta do loop do hábito é importante porque explica que quando um hábito surge, o cérebro entra no automático e deixa de ter ações completamente conscientes. Se aprendermos a criar novas rotinas neurológicas, assumimos o controle do loop e assim hábitos nocivos ficam em segundo plano.

As rotinas podem ser muito complexas ou incrivelmente simples. As recompensas podem variar desde comida até drogas. – Implementando novos hábitos: Se você quer começar a correr toda manhã, é essencial que escolha uma deixa simples (como separar a roupa na noite anterior ou trocar-se antes do café da manhã) e uma recompensa clara como uma guloseima no meio do dia ou registrar seus quilómetros (senso de realização). porém, estudos demonstram que uma deixa e uma recompensa não são suficientes para que um hábito dure. Só quando o cérebro começar a nutrir uma expectativa pela recompensa. A deixa, além de deflagrar uma rotina, também precisa deflagrar um anseio pela recompensa. – Identificando e substituindo um hábito: Se você usa a mesma deixa, e fornece a mesma recompensa, pode trocar a rotina e alterar o hábito.

Quase todo comportamento pode ser transformado se a deixa e a recompensa continuarem as mesmas. Essa regra já influenciou tratamentos para alcoolismo, obesidade, transtornos obsessivos e vários outros hábitos nocivos. Um hábito não pode ser erradicado mas pode ser substituído.

Digamos que você quer parar de comer fora de hora no trabalho. A recompensa que está buscando e matar sua fome ou interromper o tédio? Se você identificar as deixas e recompensas, pode alterar a rotina. Por exemplo: Vamos supor que todos os dias você pare seu trabalho e vá comer alguma guloseima. Comece observando o horário que isso mais acontece. Normalmente é sempre no mesmo horário. Depois, tente substituir essa guloseima por alguma coisa mais saudável, como fruta seca ou um iogurte. Perceba se a vontade de comer passa ou diminui. Perceba se você levanta da mesa realmente para comer ou essa é uma desculpa para dar uma volta, espairecer e conversar um pouco. Talvez essa quebra de rotina seja apenas uma necessidade de descansar os olhos e essa é a sua verdadeira recompensa. Identificando a deixa e a recompensa, está a um passo de implantar um novo hábito. Se você percebe que realmente tem simplesmente fome, pode substituir a guloseima por algo saudável e notará que, por exemplo, vai perder peso. Essa será sua recompensa.

Esse é um pedacinho do que fala na primeira parte do livro. A segunda parte fala sobre hábitos de empresas bem sucedidas e a terceira parte examina hábitos de sociedade e são igualmente interessantes. Todos os capítulos giram em torno de um argumento central: Hábitos podem ser mudados, se entendermos como eles funcionam.

  Substituir hábitos nocivos por saudáveis e construtivos é um passo fundamental no caminho da construção de uma nova vida, aquela que desejamos ser. Então mãos a obra! Se observe. Identifique os maus hábitos, as deixas e as recompensas. Entenda como você funciona. Vale anotar em um caderninho e fazer um pequeno diário, assim vai entender sua rotina e terá registrado os progressos. Boa sorte e boa leitura!

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